Dizem que gosto não se discute, mas “mau gosto” pode e deve ser discutido assim como eliminado. Parte significativa das fotografias HDR (High Dynamic Range) que encontramos por aí são simplesmente detestáveis.
Não, não falo mal da tecnologia/técnica por detrás do HDR. Pelo contrário, considero-a da maior valia. Problema mesmo é aqueles que se valem de tal funcionalidade para, exagerando seus recursos, criar fotografias do mais péssimo gosto, com halos por toda parte, noise excessivo e horrenda saturação. É um problema de percepção de mundo, de educação estética e também de técnica, ou melhor dizendo, de falta de técnica.
Que o diga o fotógrafo EduChaves (@educhaves2), que encara esta problemática até com maior gravidade:
“Vi poucos ‘trabalhos’ em que se justifica o uso do HDR. E a maioria é: estava ruim e ficou pior com HDR.”
Para tentar reverter esta situação, EduChaves se propôs e executou uma primorosa tarefa: traduziu para o português todo o manual de um dos mais importantes e completos softwares de criação de HDR, o Photomatix Pro.
“Vamos usar da maneira correta o HDR. Ele é ferramenta, não é solução e não deve ser restrito a poucos.”
E a tradução da ferramenta foi mesmo primorosa. EduChaves tomou o cuidado de preservar, sempre que necessário e entre parênteses, todas as expressões originais em inglês de modo a eliminar eventuais dúvidas. Ao mesmo tempo, e com muito bom senso, também manteve em inglês todos aqueles termos fotográficos já consagrados, percebendo que sua tradução traria mais prejuízo do que benefício. Um trabalho atento e limpo que só poderia ser bem realizado por quem entende do assunto.
O Manual Photomatix em Português (PDF – 500KB) pode ser baixado na seção de suporte do website do Photomatix Pro assim como a partir do link direto.
E EduChaves já adianta: vem aí o Photomatix Pro 4.0 e com ele o novo manual também traduzido, seguido de workshops gratuitos que ocorrerão aqui no Brasil.
Sebastião Salgado está em Los Angeles durante este mês de maio e junho para levantar fundos, conceder entrevistas durante as exposições do Africa e também trazer luz sobre seu mais novo projeto, Genesis, chamado pela mídia especializada como um trabalho épico.
Vida primitiva
Genesis representa um novo capítulo da vida do fotógrafo, marcado por uma “volta a natureza”. De fato, Salgado está percorrendo o globo terrestre em busca de cenas inauditas, registrando a presentaça de natureza ainda selvagem existentes no planeta. Ou como prefere dizer, em busca de “vida primitiva”.
Segundo Salgado, o planeta ainda apresenta 40% de sua área tal como se observava a 5 ou 12 mil anos atrás. Sua proposta no Genesis consiste precisamente, e mais uma vez, em preservar esta vida primitiva. Mas desta vez preservando-a também em sua fotografia.
E vai longe para encontrar tais vestígios. Do Alasca ao Sahara, de Galápagos a Africa, Salgado já percorreu 20 diferentes regiões e 5 continentes apenas nos primeiros 4 anos de projeto. A meta final é gerar 32 ensaios até 2012 e então inaugurar uma fase de exibições que abrange grandes parques e museus: “Meu sonho é mostrar o trabalho no Central Park, não em um prédio qualquer mas fora, entre as árvores do parque”.
Salgado ativista
Durante o trabalho Salgado carrega consigo um telefone via satélite e foi com este aparelho que ficou sabendo da vitória de Obama em novembro passado: “uma vitória para o planeta” afirma. Interessante mas previsível. Afinal de contas, não é novidade que Sebastião Salgado vá além da mera “fotógrafia descompromissada” para descer de cima do muro, escolher um lado e abraçar causas progressistas, como o movimento dos trabalhadores sem terra (MST), a campanha e posterior apoio a Lula, as iniciativas de preservação de espécies e matas nativas (veja http://institutoterra.org/, de fundação sua e de sua esposa), entre outros.
Salgado digital
Em uma das primeiras entrevistas concedidas ainda no início de maio, Salgado mencionou a adoção de uma câmera digital para a execucação do projeto Genesis. Parte da platéia – o lado purista, digamos – torceu o nariz e soltou exclamações. Dias depois, em outra entrevista, Salgado explica que a mudança para o digital ocorreu por múltiplas necessidades.
Durante a execução do projeto Africa, Salgado já havia percebido que algumas das cenas registradas pediam grandes impressões. Todavia a Leica, sua tradicional parceira de guerra, não possibilitava ir além de certo tamanho de impressão. Na época Salgado decidiu-se então por uma Pentax 645 e suas objetivas de baixo contraste que se aproximam das lentes que utiliza em suas Leicas. Além disto, o filme 220 utilizado nas Pentax 645 apresenta um nível e qualidade de prata a muito abandonado pelas 35mm em favor do baixo preço e, consequentemente, baixa qualidade.
Da Pentax 645 analógica para o digital foi um pulo. A virada se deu no início do projeto Genesis. Salgado e seu assistente teriam que percorrer o mundo, passando por múltiplos países e aeroportos e carregando consigo cerca de 600 rolos de filme 220, ou aproximadamente 30 kilos de filme! E tinham que fazer isto após os atentados de 11/09, diante das novas medidas de segurança adotadas pelos aeroportos do mundo todo. Passar com os negtivos expostos por um scaner de raio-X mais que 2 ou 3 vezes simplesmente ocasionava tamanha degradação ao grão e contraste do médio-formato, que o colocava num patamar de qualidade final inferior àquele apresentado por um negativo 35mm tradicional. Ou seja, inviabilizava justamente o que se queria obter com a nova Pentax 645: a impressão em grande formato.
A solução foi experimentar o uso de um back digital na Pentax 645, que Salgado confessa, deixou-o impressionado. Mas uma médio-formato com back digital traz um grande inconveniente: é grande demais para o tipo de trabalho a que se propõe Salgado. A saída, e prestem bem atenção nisto, foi utilizar uma Canon 1Ds Mark III: “poderosos 21 megapixels” diz. E ao invés de 30 kilos de filme, carrega agora meros “1.5k em cartões digitais”.
Mas sua verdadeira excitação não esta com a Canon 1Ds e sim com a nova Leica S2 divulgada aqui no fotozine como uma média-formato num corpinho de 35mm. Salgado acredita que esta câmera vai superar todas as expectativas ao ser capaz de registrar uma imagem de médio-formato num corpo compacto e fazendo uso das inigualáveis e igualmente compactas objetivas da Leica.
A adoção da digital porém não alterou a rotina de Salgado. Ele continua trabalhando com P&B e ainda insiste em gerar tiras de prova à moda clássica.
Não está convencido de que a fotografia (ainda) é mais importante que o Photoshop?
Então confira as capas da Elle francesa, que ousou (palavra da moda) expor Monica Belluci, Eva Herzigova e Sophie Marceau em carne e osso, isto é, sem maquiagem, sem cabelereiro e sem… Photoshop.
Dias atrás encontrei um fotoblog interessante, coisa rara de se ver.
Trata-se de Julio Carmo – JulioC, como prefere assinar – e suas fotos com temática simples mas com excelente ênfase em composição, enquadradas com a consciente intenção de proporcionar a melhor visão ao expectador. Leia mais
Unikonetwork: Agradecemos a todos que participaram da promoção do fotozine. Continuem nos seguindo para saber de nossas promoções e descontos! 2 weeks ago from web