Saiu o resultado da World Press Photo 2009, evento que ocorre desde 1955 e que se propõe premiar o melhor da fotografia jornalística no mundo, procurando expor suas tendências e desenvolvimento.
A foto vencedora

A foto premiada, acima, é do americano Anthony Suau, publicado em março de 2008 em uma matéria do Times. Registra um policial vistoriando uma casa em Cleveland/Ohio após os proprietários serem despejados. Segundo o juri a foto é representativa da crise pela qual estamos passando.
Eu deveria ficar quieto, seguir qualquer um destes “manuais de redação de blog” que por sinal não se distinguem em nada dos imprestáveis manuais de redação da grande imprensa, e escrever um post todo certinho e bem comportado. Mas que se dane. Vou dizer exatamente o que penso. É pra isto que tenho um blog.
A foto vencedora é ridícula, esdrúxula e inexpressiva. Pra que ela tenha algúm valor, alguma representatividade, torna-se necessário que se conte a história da cena porque a foto em sí não consegue revelar coisa alguma. Ninguém, nem por um desvario de imaginação, conseguiria entender seja lá o que for que ocorre nesta cena e estabelecer qualquer associação com a crise econômica. E não se trata meramente de explicação ou de associação. A foto não provoca emoção, não desperta interesse. É tão ruím que não consegue apresentar valor fotográfico intrínseco, estético, nem mesmo como “fotografia pela fotografia”.
A presidência do corpo de jurados, que este ano ficou nas mãos de MaryAnne Golon, por sinal americana, tentou justificar a escolha com uma declaração pra lá de ambígua:
“A força da imagem reside em seus opostos. Tem um duplo sentido (double entendre). Se parece com uma clássica fotografia de conflito, mas é simplesmente o despejo de uma familia após o embargo da casa. Agora, por conta de não poderem pagar a hipotéca, a guerra, em seu sentido mais comum, adentra a casa destas pessoas.”
Muito bom, hein?!
Brasileiros também foram premiados
É, o Brasil levou dois prêmios e uma menção honrosa.
O Luiz Vasconcelos (Jornal A Critica) levou o primeiro lugar na categoria “General News”. Sua foto registra a violência que ocorreu em março do ano passado, em Manaus/AM, quando os brucutús da polícia expulsaram com sua característica delicadeza, cerca de 200 indígenas acampados em uma propriedade particular:

Agora que você viu a foto do Luiz consegue entender a minha revolta com a foto vencedora do World Press Photo?! A foto do Luiz tem história, não requer que nenhum idiota como eu venha lhe explicar o que está ocorrendo. Existe tamanha tensão nesta imagem que provoca imediatamente uma revolta interior, um profundo sentimento de indignação. Agora olhe novamente para a foto vencedora – aquela primeira lá do início deste post – e me diga se consegue sentir qualquer coisa assim?!
Teve outro brasileiro que também recebeu destaque neste World Press Photo. Eraldo Perez (Associated Press) levou menção horrosa com a foto que mostra moradores da favela do Coque/Recife alheios a um corpo estendido no chão. Foi registrado em abril do ano passado e fez fama imediata ao ser publicada no The Japan Times.

Por fim, André Vieira (Focus Photo und Presse Agentur), ficou em terceiro lugar na categoria “Arts and entertainment” com sua foto do estilista angolano Xhunos, registrada em Luanda, capital de Angola.

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1 comentário
Realmente, o factor comparação em ambas as fotos, justificando o porque de não concordares com a escolha do 1º prémio; foi bastante pertinente. E sim concordo plenamente com a tua opinião; o prémio não é merecido. Mas não lhe tiro o valor artístico, já que a foto me revela o efeito caos; o isso para mim é absoluto; está lá e eu o sinto! Mas relaciona-la com a crise económica mundial é completamente ridículo.
July 26th, 2009Deixe o seu
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