O que há de tão especial no Lightroom

Gostaria muito de compartilhar com você, algumas impressões a respeito do Lightroom e das opções disponíveis para conversão RAW. Para ser bem honesto, quanto mais uso o Lightroom mais me convenço de que aquilo que tem de melhor é a interface. E mais ainda: de que esta é a única coisa que realmente tem de bom. Vou pois falar de interfaces.

As opções (ou falta delas)

Dois sobreviventes da batalha dos conversores RAW, Bibble Labs e LightCraft LightZone, superam de longe o Adobe Lightroom em termos de funcionalidade. Mas pecam por uma interface exageradamente amadora e decepcionante.

Veja o Bibble Labs 4 abaixo. Lembra qualquer coisa de Windows 3.11, não é mesmo? São botões e caixinhas aglomeradas umas sobre as outras, todos tentando garantir seu lugar ao sol, ou melhor, seu lugar dentro da interface do programa. Tanta coisa junta para pouca ou nenhuma usabilidade. Falta desde funcionalidades simples como combinações de teclas especiais (CTRL, ALT, SHIFT) e cliques de mouse até History (voltar ao estado anterior de uma operação). A usabilidade e agilidade é sofrível neste software, e compromete seriamente aquilo que ele tem de bom, que são seus recursos de manipulação de imagens, mais amplos do que aqueles presentes no Adobe Lightroom.

bible labs O que há de tão especial no Lightroom

O Bibble já tem data de lançamento para uma nova versão: Bibble 5. Muitas funcionalidades novas e que vão dar mais uma grande surra no Lightroom. Já a interface… se melhorou, como pode ser conferido aqui e aqui, ainda não alcançou o nível de “agradabilidade” que o Adobe Lightroom oferece. Melhor aguardar o lançamento para verificar isso tudo.

O LightCrafts LightZone é outro software que peca na interface e usabilidade e que, tal como se dá com o Bibble, sacrifica aquilo tudo que tem de bom. As últimas versões já denunciam uma tentativa de se aproximar do formato imposto pelo Adobe Lightroom mas francamente não chega aos pés. Porém, e muito antes do Adobe Lightroom, foi o primeiro conversor RAW a apresentar ajustes localizados. E já trabalha com layers a algúm tempo.

lightzone O que há de tão especial no Lightroom

Muitos citam e creio que com razão, que a qualidade da conversão RAW do Canon DPP é imbatível. Mas e daí? Não tem funcionalidade e a interface é ridiculamente amadora, com usabilidade terrível. Nem merece maior consideração.

dpp O que há de tão especial no Lightroom

Tem o Phase One Capture One, que até desprezei meses atrás em função do lançamento do Adobe Lightroom (que vergonha). Perdeu muita popularidade depois do lançamento do Adobe Lightroom, mas ainda continua apresentando usuários ferrenhos. Não tenho um print aqui para publicar pois não instalei o Phase One Capture One. Mas olhando o site, dá pra perceber que é mais outro tentando correr atrás do tempo perdido, procurando seguir as pegadas do Adobe Lightroom.

Deveria falar também do Apple Aperture e do software da Nikon, Capture e Capture NX. Desculpem. Apesar de ter Mac OS instalado, não gosto de Mac e não uso Aperture. Também não tenho Nikon e não ligo para o software dela.

Por fim, e que me lembre, sobrou o Slikpix. Este nem site tem (ao menos não encontrei no Google). Dizem por aí que a conversão dele é impecável. Em compensação é paupérrimo de funcionalidades e a interface é das mais horríveis.

O Lightroom nem sempre foi assim

A equipe de desenvolvimento do Adobe Lightroom é essencialmente uma equipe de nerds babões. São caras muito preocupados com o formato de seu código de programação, workframes de desenvolvimento e com formalidades de sistemas. Insistem em usar Lua, o que me parece bastante sofrível e possivelmente um dos fatores que contribuem para a performance tão horrenda do Adobe Lightroom. Conseguiram produzir, como resultado de seu trabalho e empenho, uma ferramenta, que a despeito da simplicidade e pobreza de funcionalidades que oferece, é lenta de dar dó e uma contumaz devoradora de recursos. Mas tudo dentro de uma tal arquitetura de sistemas, usando a linguagenzinha XPTO, com o workframe X, Y e Z. Enfim, com tudo aquilo que não tem a menor importância para o fotógrafo. Sabe-se lá como pôde sair de um grupo destes uma interface agradável como a que o Adobe Lightroom tem hoje. Mas também é fato que o Lightroom não veio ao mundo assim tão acabado. Vejam como a coisa foi evoluindo até chegar no que conhecemos hoje:

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Como dá pra perceber, foi um longo caminho.

Qual solução?

Junte as funcionalidades do Bibble Labs e do LightZone, aliadas a conversão RAW do DPP e Capture One, e tudo isso na interface do Lightroom. Não esqueçamos também de uma boa pitada de Photoshop. Utópico, não é mesmo? Mas é que o seria necessário. E por ora, nenhum dos softwares de conversão RAW realmente se prestam para mais do que converter RAW ou realizar ajustes iniciais, como ponto de partida para ajustes mais sérios a serem implementados no Photoshop.

Esperar que o Bibble Labs e LightZone ganhem um verdadeiro incremento em termos de interface e usabilidade, conferindo então o efetivo suporte que suas funcionalidades requerem, é realmente querer demais. São dois projetos que, a despeito das inovações, não conseguiram até o momento oferecer sequer uma única grande inovação em termos de interface.

Esperar que o Canon DPP ganhe não só funcionalidades mas também uma interface decente, é outra bobagem sem tamanho. A Canon já deu as devidas provas de que não se importa com a qualidade final de seu software.

Esperar que o Adobe Lightroom funcione com performance e incorpore funcionalidades poderosas também é querer demais. Enquanto não houver uma substancial mudança de orientação na equipe, na liderança do projeto e na concepção do Lightroom, este continuará sendo uma ferramenta muito bonita mas também muito pobre.

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5 comentários

  1. 001 Anonymous

    Boa análise. Ninguém se preocupa muito com a usabilidade dos programas e acaba sofrendo as consequência de escolhas ruins e impensadas. Seu texto realmente ajuda a fazer escolhas mais conscientes.

    Realmente o Lightroom deixa a desejar. No fundo não passa de uma ferramenta para aquilo que chamam de “entusiasta”. Ninguém tem muita coragem de dizer isso porque trata-se da Adobe, a gigante do ramo e criadora do Photoshop. Dizer que a ferramenta que eles lançaram para tratar foto é amadora e ruim é como lançar uma heresia e correr o risco de ser queimado na fogueira!

    Entendi que você não gosta de Mac, mas deveria avaliar o Aperture com mais atenção porque ele realmente é superior ao Lightroom em quase todos os pontos (senão todos). Talvez esteja aí a resposta que você esteja procurando para atender ao seu workflow.

    September 23rd, 2008
  2. 002 Lelo

    Especial no Lightroom é o marketing da Adobe! Agora deram pra oferecer uma solução para fotógrafos: CS4 + Lightroom Bundle por um preço especial. Acontece que quem trabalha com Photoshop sabe que não precisa do Lightroom pra coisa alguma. É claro que a comunidade segue encantada com o Lightroom e acho que quem mais se encanta são aqueles que sofrem com a informatização da fotografia. Outros que só fazem piorar as coisas são os ditos formadores de opnião: esse pessoal que vive de ministrar curso, escrever livros e artigos. O Lightroom pra eles é mais uma fatia de negócios, mais um motivo pra um novo curso ou novo livro. Mesmo sabendo que até um macaco consegue usar o Lightroom e que no fundo não passa de uma ferramenta para iniciante e amador, ainda assim vendem a idéia de que o Lightroom é “A” ferramenta pro fotógrafo, do amador ao profissional. Pura propaganda enganosa!

    Eu uso o Bridge, ACR e Photoshop exclusivamente. Funciona muitíssimo bem porque tudo aquilo que você não consegue fazer no Bridge ou no ACR, faz no Photoshop. Só que de um modo natural, sem a necessidade de “Edit in Photoshop”, “Open as smartobject in Photoshop”, e todas estas coisas que o Lightroom passou a oferecer para compensar suas deficiências.

    September 24th, 2008
  3. 003 Lelo

    Eu esqueci de escrever: a interface, como bem salientada por você, é de fundamental importância para toda esta estratégia da Adobe e dos formadores de opnião. A aparência é a alma do negócio e sem uma interface bem acabada, seria impossível vender o Lightroom como uma ferramenta profissional e séria. É mesmo como você disse: uma ferramenta muito bonita mas também muito pobre.

    September 24th, 2008
  4. 004 Anonymous

    Voces estao sendo muito radicais. O Lightroom funciona para a maioria dos casos. Com ele dah pra fazer todo o tramento basico da imagem e mais ajustes criativos. E tudo isso de forma muito simplificada que eh algo muito importante para o fotografo hoje em dia.

    September 24th, 2008
  5. Caro Anônimo,

    O que um software precisa oferecer para atender a maioria dos casos é:

    * Identificação e ajustes precisos de White, Mid and Black Point;

    * Identificação e remoção de color cast;

    * Ferramentas flexíveis e eficientes para ajustes pontuais de cor, notadamente para lidar com pele e fidelidade de cor em produtos;

    * Gamut warning e soft proofing;

    * Técnicas variadas para aplicação de sharpening (de acordo com as características da imagem);

    Isto tudo apenas para ficar naquelas ferramentas que me recordo utilizar em 100% dos casos. Nem ouso entrar nos “ajustes criativos”.

    Enfim, tudo aquilo que o Lightroom não oferece, percebe? Senão, vejamos:

    * Identificação e ajustes precisos de White, Mid and Black Point: o LR oferece ajuste de WB que pode ser mais ou menos preciso de acordo com a capacidade de identificar visualmente estes pontos e selecioná-los com o WB picker. Ou seja, capacidade de identificação zero, assim como zero de precisão.

    * Identificação e remoção de color cast, ajustes pontuais de cor: uma das maneiras mais simples de identificar e remover color cast é usando técnicas para definição e marcação de White, Mid e Black Point no Info Pallete do Photoshop. O Info Pallete é capaz de informar (evidentemente para quem sabe ler) se há cast de cor sobre uma imagem. Na maioria dos casos, a remoção de color cast é simples questão de definir o White, Mid e Black point de uma imagem. Em outros somente ajustes mais pontuais e precisos para resolver tais problemas. E tal precisão somente pode ser obtida com ferramentas do nível de Curves e Levels, entre outras presentes no Photoshop;

    * Gamut warning e soft proofing: nem precisaria comentar mas vá lá. O LR não oferece absolutamente nada para isso.

    * Sharpening: nota zero para o Lightroom. Seu sharpening não se presta para coisa alguma.

    Mas devo concordar que a avaliação de um software diz respeito a satisfação que se tem dele. Se você se sente satisfeito com o que ele oferece, então realmente não precisa de mais nada.

    September 24th, 2008

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