De volta ao básico – Percepção de cor e a fotografia

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Observando a imagem acima, você acreditaria que o quadrado A e o quadrado B possuem exatamente a mesma gradação de cinza, em outras palavras são de mesma cor? Evidentemente que não. Afinal de contas, e como já se tornou hábito dizer, os olhos não mentem, não é mesmo?!

Olhe novamente, desta vez com o auxílio de duas faixas adicionais, que permitirão verificar se o que constatamos na imagem acima é verdadeiro ou não:

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Ops, as faixas demonstram o contrário do que nossos olhos afirmavam. Quadrados A e B possuem exatamente a mesma tonalidade e cor! O criador desta ilusão, Edward H. Adelson, explica o fenômeno aqui.

Se o exemplo acima soa artificial e hipotético, sem muito paralelo com a realidade, então assista ao vídeo abaixo, recém produzido pela Apple. Ele ilustra de modo símples e intuitívo, as ilusões a que nossos olhos estão sujeitos quando o assunto é cor e contraste:

Para nós, fotógrafos, o que interessa notar é que nossos olhos, a despeito de toda perfeição que apresentam, cometem equívocos que podem se refletir na avaliação que fazemos acerca de nossas fotografias e do tratamento que precisam receber: na determinação do branco e do preto na imagem, no ajuste de white-balance, na percepção de color cast e mesmo na percepção de cores em geral.

Nisto reside o principal argumento que condena a calibração de monitores baseada na técnica do “olhômetro”, isto é, do ajuste de cor, contraste e brilho de um monitor realizados manualmente, sem o auxílio de equipamento de medição adequado (colorímetro) e avaliados pura ou simplesmente pelo olho humano (mesmo que contando com o auxílio de softwares como o Adobe Gamma). O mesmo se aplica a outros meios que não a tela do computador, como se dá com a impressão em papel, aonde se impõe o desafio de traduzir cores em espaços mais limitados de cor além do clássico problema da fidelidade de preto e branco.
É também esta consideração que faz com que grande parte dos softwares voltados ao tratamento de imagens, não passem de softwares amadores no que diz respeito a fidelidade de cor. Esta é uma das maiores críticas que faço ao Lightroom, LightZone, Bibile Labs e tantos outros programas, pois deixam exclusivamente a cargo do olho do fotógrafo a determinação da cor que melhor represente a cena e oferecem ferramentas de análise e correção ainda por demais rudimentares e imprecisas.

Para muitos porém, isto tudo não passa de preciosismos acadêmicos. Creio, todavia, que é este preciosismo, este cuidado apurado com a cor da foto, que diferencia antes de mais nada o trabalho profissional, de qualidade, do trabalho amador.

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